De gari à gestão: uma trajetória na Cootravipa

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Institucional 08/06/2026
De gari à gestão: uma trajetória na Cootravipa

Quando começou a trabalhar na limpeza urbana, aos 16 anos, Marcelo Ramires de Almeida não imaginava que, anos depois, estaria na direção da cooperativa onde iniciou sua trajetória profissional. Na época, o objetivo era ajudar em casa. Filho de pai pedreiro e mãe dona de casa, ele lembra que não faltava comida, mas também não sobrava quase nada no fim do mês.

A entrada na Cootravipa veio por uma história familiar ligada ao trabalho nas ruas. A avó de Marcelo já havia atuado na cooperativa na década de 1980, varrendo dentro da própria vila onde ele morou por 42 anos. Dois irmãos também trabalhavam na instituição. “Ela amava o que fazia”, recorda Marcelo, ao falar da avó. Foi nesse contexto que ele buscou a primeira oportunidade.

O primeiro dia de trabalho ainda permanece vivo na memória. A apresentação ocorreu no antigo porão da prefeitura, no Centro de Porto Alegre. A porta era baixa, e Marcelo lembra que precisava se curvar para entrar. Como não tinha experiência, não foi encaminhado de imediato para ruas e avenidas de maior movimento. O primeiro posto foi em frente ao Mercado Público, onde permaneceu por três anos.

Ali, a rotina ensinou mais do que a técnica da limpeza urbana. Ensinou também sobre invisibilidade. “Não é que as pessoas não enxergam. As pessoas fazem vista grossa. Gari, coletor, é só mais um para elas na rua. Se tu não passa para coletar, elas notam. Agora, quando tu passa diariamente, elas não notam”, afirma.

A experiência no Centro de Porto Alegre também revelou, segundo ele, a necessidade de mais empatia e educação ambiental no cotidiano da cidade. Marcelo lembra de varrer a frente do Mercado Público enquanto pessoas passavam e jogavam papéis e bitucas de cigarro no chão, mesmo com lixeiras próximas. “Parece que não tinha nada na frente. É a nossa cultura”, observa.

A virada em sua trajetória começou com uma oportunidade de formação dentro da cooperativa. A Cootravipa ofereceu três vagas para um curso de Excel, e Marcelo aceitou mesmo sem ter dinheiro para o deslocamento. Trabalhava das 8h às 17h e, à noite, precisava chegar até a Cavalhada para estudar. Ia a pé, todos os dias.

Aquele curso abriu caminho para uma mudança maior. Marcelo retomou os estudos, concluiu o Ensino Fundamental pela Educação de Jovens e Adultos (EJA), depois o Ensino Médio e, mais tarde, fez curso técnico em contabilidade. A matemática, que antes era sua maior dificuldade, acabou se tornando uma área de destaque. Ele estudava à noite, insistia nos exercícios e passou a tirar notas altas, até ser incentivado por uma professora a seguir na área contábil. Hoje, Marcelo é conselheiro secretário da Cootravipa e atua como diretor de Operações da entidade. Antes da chegada à gestão, passou por diferentes funções dentro da cooperativa: foi gari, coletor, ferramenteiro, motorista, administrativo e coordenador de contrato. Sua trajetória sintetiza um dos propósitos da cooperativa, fundada em 1984 a partir de um movimento comunitário da Zona Sul de Porto Alegre: promover inclusão social por meio do trabalho, da educação e do desenvolvimento das pessoas.

Para Marcelo, a chegada à gestão não apaga a memória das ruas. Ao contrário, reforça a responsabilidade de valorizar quem mantém a cidade funcionando diariamente. “Quando eu entrei como gari, jamais pensei que um dia estaria na direção da cooperativa. Nunca passou pela minha cabeça. Mas eu sempre tive o sonho de crescer na vida e dar uma vida melhor para os meus pais”, afirma.

A trajetória de Marcelo ganha relevância nesse Dia do Gari, celebrado em 16 de maio, por mostrar um percurso que começou na limpeza urbana. Hoje, na Diretoria de Operações da Cootravipa, ele acompanha equipes, contratos e rotinas operacionais com a experiência de quem também conheceu o trabalho nas ruas.

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